O subjuntivo inglês: uma espécie em vias de extinção?

Você sabia que o verbo inglês possui um modo subjuntivo, igual ao português? Pois possui. Existem dois tempos do subjuntivo até. Só que o subjuntivo inglês se mantém escondido a maior parte do tempo, disfarçando-se de indicativo. Ele é pouco estudado e, nas raras ocasiões em que é avistado, costuma causar espanto, porque parece contrariar tudo que a gente aprende sobre a flexão dos verbos ingleses.

Em português, existem três tempos simples do subjuntivo: presente (faça), pretérito imperfeito (fizesse) e futuro (fizer), e três compostos: pretérito perfeito (tenha feito), pretérito mais-que-perfeito (tivesse feito) e futuro (tiver feito). Em inglês, existem dois tempos simples do subjuntivo: presente e pretérito, e um composto ainda usado: o pretérito mais-que-perfeito.

O presente do subjuntivo tem as mesmas formas que o presente do indicativo, exceto na terceira pessoa do singular, que fica sem o -s. Ou seja, a forma do presente do subjuntivo é igual para todas as pessoas do verbo e igual ao infinitivo. A única forma em que o subjuntivo se revela é a terceira pessoa do singular. Isso vale para todos os verbos, menos o verbo to be, pois a forma do presente do subjuntivo do verbo to be é be para todas as pessoas, conforme a regra. O verbo to be é o único verbo cujo subjuntivo se manifesta em todas as pessoas.

Mas em que situações emprega-se o presente do subjuntivo? Como em português, o subjuntivo ocorre majoritariamente em orações subordinadas introduzidas por that (que), se bem que esse that é omitido em muitos casos. Usa-se o subjuntivo depois de verbos volitivos tais como ask (pedir), demand (exigir), insist (insistir), propose (propor), recommend (recomendar), request (solicitar), suggest (sugerir) e substantivos derivados, inclusive advice (conselho),  e adjetivos tais como important (importante), essential (essencial), vital (vital), desirable (desejável) etc. Alguns exemplos: Her boss insisted (that) she go to New York immediately (O chefe dela insistiu que ela fosse a Nova York imediatamente);  I suggest (that) Jill be promoted to manager (Sugiro que a Jill seja promovida a gerente); It’s important (that) we be vigilant (É importante que estejamos vigilantes); Our advice is that the school hire more staff (O nosso conselho é que a escola contrate mais funcionários).

Observe que se usa o presente do subjuntivo em todos esses casos, independentemente do tempo do verbo principal da frase. O uso do subjuntivo pertence à linguagem formal, e é mais comum no inglês americano do que no britânico, onde se prefere empregar uma perífrase com should e o infinitivo: Her boss insisted she should go to New York immediately etc. Na linguagem informal, costuma-se usar o tempo apropriado do indicativo: Her boss insisted she went to New York immediately; I suggest Jill is promoted to manager; it’s important we are vigilant; our advice is that the school hires more staff.

Fora os casos acima, o presente do subjuntivo sobrevive em algumas frases optativas tais como: God bless you! (Deus te abençoe!); God save the Queen! (Deus salve a rainha!); Long live the King! (Viva o rei!); Heaven forbid! (Deus me livre!); be that as it may (seja como for) and so be it (que assim seja).

O pretérito do subjuntivo é mais esquivo ainda. Isso porque a forma dele é igual à do pretérito do indicativo (simple past) em todos os verbos menos to be.  A forma do pretérito do subjuntivo do verbo to be é were para todas as pessoas, ou seja, somente a primeira e terceira pessoas do singular (I/he/she/it were) diferem do pretérito do indicativo (I/he/she/it was).

O uso principal do pretérito do subjuntivo é para expressar condições irreais, geralmente em orações introduzidas por if. Na verdade, emprega-se o mesmo tempo verbal em português (p.ex.: se eu tivesse dinheiro, viajaria pelo mundo), mas como a forma do pretérito do subjuntivo inglês coincide com o simple past em todos os verbos, aprende-se que condições irreais são expressas com o simple past. Só quando o verbo é to be que cai a máscara; assim dizemos if I were you (se eu fosse você); if Sue were here, she’d know what to do (se a Sue estivesse aqui, saberia o que fazer); if it weren’t for the lifeguard, I would have drowned (se não fosse o salva-vidas, eu teria morrido afogado), com o subjuntivo aparente. Também se emprega esse subjuntivo depois dos verbos wish, suppose e imagine quando seu complemento refere-se a uma situação irreal: I wish I were taller (quem dera eu fosse mais alto, eu queria ser mais alto); supposing you had the money, where would you most like to visit? (supondo que você tivesse o dinheiro, que lugar você mais queria conhecer?) etc., depois de as if/though: he had his eyes closed, as if he were sleeping (ele estava de olho fechado, como se estivesse dormindo) e na frase feita as it were (por assim dizer).

Na linguagem informal, é mais comum substituir esse were pelo indicativo was, fora nas locuções as it were e if I were you (se bem que se ouve bastante if I was you também). Assim parece que o pretérito do subjuntivo está em vias de extinção, mas a verdade é que o usamos bastante sem perceber, já que sua forma é idêntica à do simple past. Ele é mais usado, porém menos evidente, do que o presente do subjuntivo, que já virou figurinha difícil, o mico-leão-dourado da gramática inglesa.

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